
Lucio Cruz: Memória, invenção e cotidiano
Um artista em movimento, que nos apresenta uma uma arte que olha para dentro para poder olhar para fora, que convida o visitante a atravessar, junto com ele, as muitas camadas que compõem sua inventiva trajetória.
28 de novembro de 2025

Antes mesmo de se descobrir artista, Lucio Cruz já habitava um mundo onde a imaginação moldava a vida cotidiana. Nas ruas de pedra de Paraty, nas festas da cidade, ele moldou seu olhar no território onde sagrado e popular se entrelaçam. Foi seu tio — o poeta e artista Zé Kleber, figura central da cultura paratiense —quem lhe deu a primeira caixa de aquarelas, acendendo uma faísca que nunca mais se apagou.
Ainda na juventude, Lucio descobriu nas máscaras de Carnaval seu primeiro laboratório artístico, usando formas de barro, papel jornal e farinha, que precisavam ser tão bem-feitas a ponto de ninguém reconhecer quem as usava. Esse gesto inaugural, entre esconder e revelar, tornou-se uma chave de sua trajetória.
Mas, se o papel abriu as portas, a exposição que aqui se apresenta busca iluminar a amplitude de um artista que foi muito além dele. Ao longo de mais de quatro décadas, Lucio construiu uma obra que atravessa materiais, linguagens e geografias. Da aquarela aos experimentos com cimento, da cenografia às esculturas, do papel machê às pinturas em acrílica, sua produção acompanhou suas viagens e a relação visceral com o fazer manual. A cada deslocamento — Bahia, Pernambuco, Caribe — novas camadas se somaram, sem apagar o vínculo com a terra que o formou.
Seu trabalho não se fecha em rótulos: pulsa como arte contemporânea nascida do encontro entre memória, invenção e cotidiano. As máscaras, tão conhecidas, estão presentes como origem, não como destino. O artista que cresceu cercado de procissões e cirandas cria superfícies que ecoam esse universo, mas o reinventam, expandindo-o para temas, corpos e simbolismos que atravessam o Brasil de ontem e de agora.
Ao caminhar pela mostra, o público observou esculturas, pinturas e experimentos que revelam um percurso múltiplo, inquieto e contínuo. Viu a força de um artista que dialoga com sua cidade e se alimenta das tradições sem se fixar nelas, que faz da própria experiência matéria poética. "Memória, Invenção e Cotidiano" apresenta Lúcio Cruz como ele é: um criador em movimento, que nos apresenta uma uma arte que olha para dentro para poder olhar para fora, que convida o visitante a atravessar, junto com ele, as muitas camadas que compõem sua inventiva trajetória.
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