PEQUENAS MISCELÂNEAS - por Renata del Campo

"As miscelâneas poéticas de Renata del Campo"

Primeira exposição individual da artista-plástica argentina, radicada em Paraty, acontece em junho na Casa da Cultura. A cerâmica é central no trabalho de Renata del Campo. Mas não só: a artista mistura suas peças com diversos materiais e texturas, como metal, madeira, linha e papel, criando pequenas instalações, ou “miscelâneas”, como ela mesma diz. “São peças inspiradas nas diversas realidades sensoriais e impalpáveis que nos circundam, trazendo uma releitura do limite entre esses diversos mundos”, diz a artista argentina, de 32 anos, há 9, radicada em Paraty. Conversar com Renata é um pouco assim, acessar outras esferas, tentando compreender suas inspirações, que se refletem em obras conceituais de poética surrealista. Na exposição “Pequenas Miscelâneas (de caixote)”, que a Associação Paraty Cultural promove na Casa da Cultura, de 16 de junho a 16 de julho, figuram obras como “El amor en los tiempos de cólera”, em que se vê um “coração cru”, moldado em cerâmica, em sua forma natural. Há pequenos pássaros de grandes olhos, que aparecem em diversas peças, e utilitários únicos, como um bule, todo torto, que parece ter saído de um conto fantástico. “A arte não é só decorativa, mas um canal para expressar, questionar, em uma busca que vai além do belo. Não ter uma mensagem linear, nas obras, deixa uma margem para interpretação”, diz Renata.


Seu caminho de vida, por sinal, não foi nada linear. Renata nasceu em Buenos Aires, em uma família de atores e ativistas políticos de esquerda. “Eles me alimentaram de arte, com conteúdo”, sublinha. A avó materna, artista popular, sempre mexendo com tecidos e linhas, foi a primeira inspiração. Primogênita de quatro filhas, aos 18, Renata colocou uma mochila nas costas e saiu pela América Latina. Conheceu Peru, Bolívia, Chile, Cuba. Até aportar em Paraty. Sentir de perto a dinâmica dessas sociedades trouxe novas possibilidades para seu trabalho. “Na arte popular, tão presente nessas culturas que reividicam suas raízes, o processo criativo é um ato ritual, mágico, existencial”, diz. Autodidata, Renata del Campo destaca as influências do francês Antonin Artaud, na arte surrealista e ritual, e do brasileiro Hélio Oiticica, inspirador do título da exposição, incluindo os parênteses “(de caixote)”. “O nome representa exatamente o que é. Os elementos escolhidos para cada uma das peças é parte da linguagem conceitual”, diz ela. Na cerâmica, Renata conta que conviveu e aprendeu com Carlos Esteban, Célia Flud, Germana Arthuso, Lili Silva Telles, entre outros. Hoje, vive e produz as obras de seu UtoPia Arte-Ateliê no bairro da Ponte Branca. As peças podem ser encontradas no coletivo Grupo da Terra, no Cais. A exposição na Casa da Cultura será sua primeira individual. A vernissage de abertura, que acontece em 16 de junho, às 20h, contou com uma performance do grupo Olho Negro e peregrinos Andantes Errantes, a cargo da diretora Silvina Hurtado. “Estou ansiosa, pois a arte só se completa quando pode dialogar com o espectador. Ter a oportunidade de expor é completar o ciclo”, diz a artista.



Produção Emanuel Gama

Curadoria: Fernando Fernandes

Texto: Rosane Queiroz

Sinalização: Leonardo Assis

Fotos: Davi Paiva


Abertura: 16 de junho de 2017

Encerramento: 16 de julho de 2017

Sala Natalino Silva

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