CRÔNICAS DE PARATY: A procissão de corpus christi em paraty

#9 CRÔNICAS DE PARATY: A procissão de corpus christi em paraty

Diuner Mello


A Procissão de Corpus Christi ou do Corpo de Deus era a mais importante no Reino de Portugal e no Império do Brasil. Dela, no reino, participavam o rei e sua Corte e, no Brasil, o Imperador, família e corte. Tanto lá como aqui, cabia às Câmaras Municipais o custeio destas solenidades – Missa Solene e Procissão.

Para se aferir a importância desta festa aqui, passo a transcrever um Edital, de 1781. (usarei a ortografia atual para melhor compreensão)

“ Registro de um Edital dado pelo Senado da Câmara e para se publicar nesta Vila. O Juiz Presidente do Senado da Câmara e mais Vereadores e o Procurador dela, que servimos neste presente ano por eleição nesta Vila de Nossa Senhora dos Remédios de Paraty e seu termo. Fazemos ver a todos os moradores desta Vila, no dia que se contam 13 do corrente mês de Junho deste presente ano de 81 – que vem a ser a Véspera do dia da festividades de Corpus Christi se hão de todas as ruas iluminar-se com luzes cada um dos moradores em suas portas e janelas, dando assim por este meio as demonstrações do devido culto que devemos ter com a veneração da tão grande dia, no dia seguinte que é o da festividade se contam 14 do corrente mês terão todos os ditos moradores as suas testadas com todo asseio e limpeza, varridas e alcatifadas todas, com folhas, juncos e flores e as ditas portas e janelas alcatifadas e adornadas do modo melhor e mais possível a tempo que passe a Solene Procissão e assim esperamos em todos os sobreditos moradores se der empenho nesta parte que manda bem obrar o que de si é, e todo aquele que assim não o fizer obrando em contrário será irremediavelmente condenado a 30 dias de cadeia.[...] e eu Antonio Xavier da Silva Borges, Escrivão da Câmara que o Subscrevi.]” (I)

Hoje, nossas ruas estão enfeitadas de tapetes coloridos, belos e dignos, a luz elétrica nos poupa a obrigação de iluminar com velas as casas, mas, as janelas das casas e sobrados das ruas por onde passará a procissão estão desnudas. Por certo, a maioria destes imóveis não é mais moradia, daí acontece isto. Será? Em cidades mineiras como Tiradentes e Diamantina ainda se alcatifam as janelas por ocasião das procissões religiosas. Creio que um trabalho de conversa e convencimento junto ao comércio local daria resultado e teríamos as janelas e sacadas enfeitadas com esmero outra vez. Não creio que a maioria não concordasse com a ideia. Mas, a quem incumbiria tal missão?

I. In Roteiro Documental do Acervo Público de Paraty – Séculos XVIII, XIX e XX – Vol. 2. Pag. 48, 49 – Org. Maria José S Rameck e Diuner Mello; Instituto Histórico e Artístico de Paraty; Falh e Moreira Graf. e Ed. de Paraty Ltda.; Paraty (RJ) 2011.

Foto: Edson José de Oliveira

Procissão de Corpus Christi no bairro do pontal, 1984.

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