CRÔNICAS DE PARATY: A Festa do Divino Espírito Santo

#6 CRÔNICAS DE PARATY: A Festa do Divino Espírito Santo

Diuner Mello


Conta a história que, em uma Missa de Pentecostes, a Rainha Santa Izabel pediu a seu esposo, o Rei Dom Diniz, de Portugal, que escolhesse uma pessoa bem pobre para que fosse coroado pelo Bispo como “Imperador da Festa do Divino Espírito Santo”. Após a coroação o rei e a rainha cederam o trono ao novo “imperador”. Terminada a Santa Missa a rainha convidou o Imperador e os pobres presentes para almoçar no palácio, quando lhes deu dinheiro recolhido entre os nobres e ricos. Este espírito de distribuição de dons e dádivas ainda persiste em Paraty, assim como nos Açores, cuja festa daqui é herdeira direta.

Nossa festa guarda as tradições mais marcantes de sua origem, no Século XIV. Aqui se mantém a coroação de um imperador da festa, a doação de gêneros alimentícios que se transformam em almoço comunitário no sábado da festa. Ainda hoje se distribui carne fresca aos menos favorecidos, agora, juntamente com uma cesta básica de alimentos.

A participação do povo se revela não só nos acontecimentos festivos, mas, principalmente, na organização dos festejos durante todo o ano, na confecção do almoço comunitário, na novena, procissões e cerimônias litúrgicas de rara beleza e fé. As ruas e praças se colorem com adornos, bandeiras e bandeirinhas para festejar o Divino Espírito Santo.


Foto: Paulo Pires

A preservação destes festejos por mais de 300 anos se deve à devoção popular uma vez que aqui não existe uma irmandade religiosa que os realize. A transmissão oral de sua liturgia, encargos, obrigações, folia, procissões e esmolas bem demonstram a importância desta festa para os Paratienses e moradores. A presença do Imperador e sua corte, a soltura de um preso comum e a distribuição de doces, são fatos marcantes destes festejos e aqui adquirem especial significado e tradição.

Por manter as tradições originais, atualizando-as na vivência deste novo tempo, sem desfigurar-lhes a o espírito de partilha e distribuição de dons que marcam as celebrações é a razão da FESTA DO DIVINO ESPIRITO SANTO DE PARATY ser reconhecida e registrada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional como PATRIMÔNIO CULTURAL DO BRASIL.


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